
Marcos Tognon
(UNICAMP; GT RIdIM-Brasil SP)
A arquitetura neogótica nos frontais de Aristide Cavaillé-Coll: os monumentais órgãos de Campinas e Itu
Por iniciativa de Ramos de Azevedo, o mais importante arquiteto brasileiro da virada dos séculos XIX-XX, foram instalados dois órgãos produzidos pela oficina de Cavaillé-Coll respectivamente nas matrizes de Campinas (hoje Catedral Metropolitana) e de Itu, ambos instalados em 1883. Além do amplo significado moderno que a presença desses órgãos mecânicos de coro trazia, com sonoridade regular por um sistema de ventilação que poderia ser acionado eletricamente, os seus frontais em carvalho apresentavam às duas cidades o mais refinado estilo neogótico em voga na Europa. As matrizes de Campinas e Itu recebiam nessa década de 1880 as suas novas fachadas de tijolo, à frente de empenas e paredes de taipa de pilão, sob a direção e projeto de Ramos de Azevedo, e, oportunamente com essas novas estruturas, o coro, acima da entrada desses templos, circunscreviam nichos centrais para receber os sinfônicos monumentais nascidos em Paris. O neogótico como estilo formal, ornamental e construtivo terá grande fortuna em São Paulo ao longo do século XX, ciclo concluído simbolicamente com a inauguração da Sé na capital em 1954; assim, os frontais de Cavaillé-Coll foram pioneiros na inspiração, na novidade de um universo estético que contrastava fortemente com as duas cidades em fase de modernização de seus espaços públicos e monumentos urbanos.

















